terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jin Ji Du Li (Exercício Oriental)


Uma prática para prevenir o envelhecimento e perda de memória.
Parece fácil, certo?
 


Faça este exercício da cultura chinesa simples e eficaz... e verá.
A essência é que seus olhos devem estar fechados quando

você pratica "Jin Ji Du Li" ... preste atenção.
Eis o exercício:

Fique sobre uma só perna, com os seus olhos abertos. É só isso.
Experimente agora fechar os olhos.

Se você não for capaz de ficar em pé por pelo menos 10 segundos seguidos,

isso significa que seu corpo se degenerou ao nível de 60 a 70 anos de idade.
Em outras palavras, você pode ter apenas 40 anos de idade,

mas seu corpo envelheceu muito mais rápido.

Ficar sobre um pé com os olhos abertos, é uma coisa e fazer o mesmo

com os olhos fechados ... a história é outra!
Não precisa levantar muito a perna. Se os seus órgãos internos estão fora de sincronia, mesmo levantando a perna um pouco vai fazer você perder o seu equilíbrio.
Os chineses estão bem avançados no conhecimento do corpo humano.

A prática frequente e regular do "Jin Ji Du Li", pode ajudar a restaurar o sentido de equilíbrio.
Na verdade, os especialistas chineses sugerem que a prática

diária por 1 minuto, ajuda a prevenir a demência.
Primeiramente, você pode tentar fechar os dois olhos, não completamente. Na verdade, é isso que o especialista de saúde Zhong Li Ba Ren recomenda.
A prática diária de Jin Ji Du Li, pode ajudar na cura de muitas doenças, tais como:
Hipertensão;
Altos níveis de açúcar no sangue ou diabetes;
O pescoço e doenças da coluna vertebral;
também pode impedi-lo de sofrer de demência senil.

Zhong Li Ba Ren escreveu um livro intitulado:

"A auto-ajuda é melhor do que procurar ajuda dos médicos",

um best-seller que também foi o melhor livro de saúde à venda na China

desde que foi publicado pela primeira vez no ano passado.

Seu sucesso pode ser medido pelo fato que rendeu mais de 1 milhão de cópias vendidas.
Diz-se que de acordo com o entendimento de médicos chineses,

a doença pode aparecer no corpo devido a problemas surgidos

na coordenação entre os vários órgãos internos,

o que faz com que o corpo perca o seu equilíbrio.

Jin Ji Du Li pode zerar esta inter-relação dos órgãos e como eles funcionam juntos.
Zhong Li Ba Ren disse que a maioria das pessoas não consegue

ficar sobre um pé com os olhos fechados por 5 segundos,

mas depois, praticando todos os dias, são capazes

de fazer por mais de 2 minutos.

Quando você conseguir ficar mais tempo, a sensação de peso desaparece.

Ao praticar Jin Ji Du Li, você vai notar que sua qualidade do sono fica melhor,

a mente limpa e melhora a memória significativamente.
A coisa mais importante é que se for praticado Jin Ji Du Li

com os olhos fechados por 1 minuto todo dia,

você não irá sofrer de demência senil

(o que significa que o cérebro continuará saudável).
Zhong Li Ba Ren explicou que há seis meridianos principais

que passam por entre as pernas.

Quando você ficar em uma perna,

você sente dor devido ao exercício e, quando isso ocorre,

os órgãos correspondentes a esses meridianos

e suas formas começam a receber os ajustes necessários. Este método é capaz de se concentrar a consciência e canalizar o corpo até os pés.

Os efeitos benéficos da prática de Jin Ji Du Li em várias doenças como:

a hipertensão, diabetes, pescoço e coluna vertebral,

começarão a ser sentido rapidamente.

Problemas como a gota também poderá ser prevenido.
Cura doenças básicas como "Pés Frios"

e também pode reforçar a imunidade do corpo.
Você não precisa esperar até que você tenha uma doença

para começar a praticar Jin Ji Du Li.

É adequado para quase qualquer tipo de pessoa e especialmente benéfico

em pessoas jovens, se praticadas diariamente,

a probabilidade de adquirir problemas naturais da idade, será menor.
Não recomendado para pessoas cujas pernas são fracas e
não podem ficar por longos períodos em pé.

Por Atahualpa Francisco e Assis

(Fonte: pesquisa sobre a Cultura Chinesa Google)

terça-feira, 13 de março de 2012

Dores na coluna

Dores na coluna
     Todas as pessoas do mundo algum dia irão sentir algum tipo de dor na coluna. Este mal atinge milhões de pessoas e você muitas vezes se pergunta o que tem feito de errado para estar sentindo dor?

     A dor muitas vezes está acompanhada de excessos que expomos o nosso corpo ou ainda do próprio desgaste do passar dos anos, bem como nossas atividades no dia a dia ou simplesmente por uma postura incorreta. É muito importante, primeiramente identificar o tipo de dor que sentimos e como se iniciou esta dor.

     Hoje em dia ouve-se muito falar em ergonomia. O que é ergonomia? Muita gente pensa que ergonomia é somente algo relacionado com cadeiras, com ferramentas ou teclados de computador, mas a ergonomia é muito mais do que isso! A ergonomia é a aplicação de conhecimentos científicos relativos ao homem para conceber objetos, sistemas e envolvimentos adequados. Sistemas de trabalho, de desporto, de lazer, ou outros, devem incluir princípios ergonômicos na sua concepção, visando de forma integrada a saúde, a segurança e o bem estar do indivíduo, bem como a eficácia dos sistemas. A ergonomia está presente em tudo o que envolve as pessoas.

     Pode-se ter certeza que um jovem que não se cuida ou que não se preocupa com a ergonomia no todo, será um idoso com tendências a sofrer de problemas de dores na coluna. Infelizmente pagamos pelo que fazemos no dia a dia. Daí a importância de pensar desde já na preservação de nosso corpo bem como na musculatura e é claro, na coluna.


     Todos os estudos envolvendo este tema mostram a dimensão que vêm ganhando estas queixas, há necessidade de cuidados básicos, e estes cuidados começam com muita informação, disciplina, manutenção de força muscular e postura correta.

     Cada vez mais pessoas têm procurado ajuda e tratamento para dores na coluna. Sabe-se, que não tínhamos acesso a informações básicas de cuidados, muito menos pensávamos em viver tanto, porém é necessária uma corrida contra o tempo para se cuidar e orientar-se para que novos excessos não sejam cometidos, que a qualidade de vida seja preservada e que se aplique a ergonomia.

     Determinadas dores na coluna relacionadas à má postura, causam dor e desconforto devido à sobrecarga e/ou distensão em ligamentos, tendões, musculatura e ossos, podendo ocasionar disfunções como posturas viciosas, alterações musculares e lesões em discos intervertebrais. Como o próprio nome já diz, estes discos ficam localizados entre as vértebras e sofrem uma espécie de esmagamento o que ocasiona dor, desconforto, dormência nos membros, fraqueza muscular e até incapacidade de movimentos, sejam nos braços ou pernas.

     Porém, conforme já citado anteriormente, o aparecimento destes problemas e suas conseqüências podem ser prevenidas se forem aplicadas dicas básicas para o dia-a-dia, como manter uma boa postura corporal nas mais variadas atividades.

     Seguem aqui, de forma resumida, algumas destas dicas posturais, procure observa-las no seu dia a dia e mantenha-se sempre atento aos cuidados com sua coluna.

     É impossível imaginar um piano que tenha um som perfeito se estiver com alguma parte faltando, ou quebrado, ou mesmo mal posicionado. Uma flauta amassada não terá o mesmo som de uma que está perfeita.

     Desta forma, acontece com o corpo humano. O som produzido será sempre influenciado pela postura que se adota, por diversas razões. Uma boa postura:


1 - É bem menos cansativa do que uma postura má ou relaxada, pois assim, os ossos e músculos fìcam posicionados de modo que haja o mínimo de esforço e tensão.

2 - Causa um melhor aproveitamento respiratório.

3 - Dá um melhor aspecto à visualização, além de transmitir maior segurança.

4 - Coloca o mecanismo vocal na melhor posição para o seu posicionamento, tornando mais fácil a produção de uma sonoridade com qualidade.

5 - Traz confiança, bem-estar psicológico e físico o todo o organismo.

6 - Faz o corpo funcionar melhor, consequentemente beneficia a saúde vocal.

A boa postura para cantar deve ser aprendìda e praticada até que se torne um bom hábito:

1. Pés
Uma boa base dá maior segurança e firmeza. Inicialmente, deverão estar um pouco afastados. Em apresentações mais demoradas, o ideal é variar a sustentação do peso entre os pés, porém não de forma demorada, para evitar fadiga e tensão. Não se deve colocar o peso apenas sobre os calcanhares.

2. Pernas
Como ajudam a fixar e sustentar o corpo, elas nunca ficam totalmente relaxadas. No entanto, elas devem ficar flexíveis, nunca rígidas, prontas para o movimento. Não se deve apoiar todo 0 peso do corpo somente em uma perna, pois haverá uma forte tendência a tremer. Para ajudar a resolver a tensão nas pernas e pés, pode-se fazer algum alongamento nesta região.

3.Quadris
Devem estar equilibrados, evitando um lado estar mais elevado que o outro. Porém, uma leve alternancia, ou movimentação ajuda a relaxar esta região, pois não é bom que esteja muito rígida durante a apresentação.

4.Abdome
Não deve estar exageradamente projetado para dentro ou para fora. Deve-se evitar tensões demasiadas neste local, pois a musculatura desta região é de extrema importância para a respiração controlada, como é a de um cantor ou orador.

5.Costas
Manter a coluna ereta de forma não rígida favorece o bem estar do som, por melhorar as condições da expansão do tórax, melhorando a respiração. Deve permanecer de forma equilibrada, sem inclinações exageradas.

6. Tórax
Deve estar numa posição relaxada, evitando-se qualquer contração muscular exagerada, para facilitar o mecanismo do ar. Deve-se sentir todo o tórax agindo em conjunto.

7. Ombros
Devem estar descontraídos, sem nenhuma tensão nestas articulações. Qualquer rigidez nesta região pode comprometer a ação dos músculos do tórax e do pescoço. Eles não devem se mover muito para frente, nem para trás, nem para baixo, muito menos para cima. A rigidez local pode complicar a toda a postura.

8. Braços e mâos
Devem estar caídos livremente ao longo do corpo, de forma natural, o mais livre de tensão possível. Os maneirismos devem ser evitados, como ficar aperfando as mãos à frente ou atrós, ou torcendo-as, pois isso causa uma tremenda tensão nos braços e no tórax, além de interferir na ação dos outros músculos do corpo. Esse tipo de atitude também é bastante deselegante. E ao segurar o microfone, deve-se ter o cuidade de manter os ombros e braços relaxados, para evitar tensão no pescoço.

9.Cabeça
Deve estar centralizada. O olhor deve estar na dìreção das pessoas, e o queixo não deve estar nem muito baixo nem muito alto.

10. Posição sentada
Quando se está sentado, o principal apoio do corpo é o assento. O tronco e a cabeça devem estar alinhados, com a coluna ereta, e os quadris devem estar bem apoiados no encosto, sem, no entanto, fazer com que o abdome fique projetado para frente, ou o oposto, ficando com a coluna inclinada para frente. Em ambas as situações haverá comprometimento da respiração, e cansaço em pouco tempo. Se se está sentado em uma cadeira com braços, não se deve apoiar os próprios braços sobre os da cadeira, pois haverá maior sobrecarga nos ombros, prejudicando a coluna.

Fonte: www.escolaunileiser.hpg.ig.com.br
Por Atahualpa Assis

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A MAGIA ESTA DE VOLTA!

        A noite do dia 06 de setembro de 2011 marcou o retorno dos grandes espetáculos, a competitividade estava em alta, à rivalidade existia mais de forma saudável e ordeira, o equilíbrio emocional foi um ponto positivo e a genialidade se fez presente no gol do guarda meta Darley. Essa final deixou os amantes do futsal com a impressão de que tudo poderia acontecer, de que o jogo seria decidido no detalhe, em uma falha individual ou em uma jogada de mestre de alguns de nossos melhores jogadores. Os torcedores eufóricos e barulhentos voltaram outra vez a fazer suas apostas, sabiam que o equilíbrio seria a tônica do jogo. Essa análise se configurou em verdade. No duelo entre Davi e Golias as estratégias foram montadas, as peças foram mexidas de um lado para o outro no tabuleiro de jogo. Golias mais experiente pressionou Davi com as armas que tinha e conseguiu abrir o placar no primeiro tempo e ampliá-lo no mesmo período, jogou tudo que podia nos primeiros 20 minutos, sob o comando do nosso melhor atleta e mais completo jogador de futsal da atualidade em nosso município Maurício (Tico), um atleta exemplar, que corre feito um menino mesmo com seus 34 anos e ainda existem alguns desavisados que insiste em dizer que ele está velho para o esporte, o que não é verdade. O jogo seguiu para o segundo período e Golias passou a administrar o jogo. Davi com um time reduzido passou a pressionar e se organizar melhor chegando a seu primeiro gol, a partir daí o jogo ficou equilibrado e possivelmente Davi chegaria ao empate se não fosse um erro de substituição do goleiro linha que permitiu que Darley o goleiro adversário fizesse um belíssimo gol que liquidou a partida. Davi pressionou e encurralou Golias no seu próprio campo mais não conseguiu diminuir o placar. A impressão que se teve foi de um jogo bem jogado que poderia terminar com um placar igual ou um três a dois, seria um final justo. Ao término do jogo ficou impressão de que após cinco anos o equilíbrio voltou e a chama foi reacendida de forma inusitada, isto é, pelos mesmos jogadores e dirigentes que outrora foram afastados da seleção de Augusto Corrêa por se posicionarem de forma contrária as idéias daqueles gestam o futsal no município. Agora que a magia está de volta é bom que as equipes tradicionais retornem também ao tabuleiro de jogo, ASCAM, G2000, OLARIENSE, MUNICIPALISTA, BN, SIRI SPORTS, SESPA etc. Davi não conseguiu como na história bíblica vencer Golias, mas deu exemplo de partilha, de empenho e dedicação, visto que, com um time limitado e reduzido a apenas dois jogadores competitivos no banco conseguiu de forma impressionante chegar à final da semana da pátria. Essa posição jamais foi cogitada pelos torcedores e nem favoritos éramos. Depois de tanto tempo militando o futsal e ausente cinco anos da semana da pátria, sinto-me feliz em desafiar as regras, brincar com o imponderável e mostrar para o público que todos os jogadores amadores se bem motivados realizam coisas impressionantes, mais uma vez o desafio me chamou e eu não tive medo, pelo contrário abracei a causa e dei o melhor de mim. Quem saiu vencedor nessa noite foi o público que lotou o ginásio e percebeu que a competitividade está de volta e que os grandes clássicos voltaram a acontecer para a felicidade daqueles que fizeram a história desses longos vinte e cinco anos da modalidade. Em fim precisamos fazer algumas mudanças no regulamento dos jogos. A partida final deverá ser disputada em 40 minutos cronometrados e com prorrogação e penalidades se for necessário. Não obstante, reduzir o número de clubes da categoria adulto na competição e promover um ranqueamento das equipes para que se possa manter o nível competitivo dos jogos da semana da Pátria, por um longo período de tempo. Todas essas mudanças devem passar pela triagem dos próprios atores dos jogos, para não levantar suspeitas de favorecimento de algumas equipes tradicionais do município. Se essas mudanças se efetivarem de fato o espetáculo ganhará a dimensão que merece e os torcedores serão presenteado com grandes duelos dentro de quadra. Agora que a magia voltou. É hora de montar e treinar a sua equipe para que se mantenha a chama competitiva dos grandes clássicos. Como diz Wilson Carlos Santana, “quero sensibilizar meus alunos a serem treinadores de gente, a gostarem mais de gente do que de estatísticas, mais de gente do que de preparação física, técnica, tática, artigos científicos. Anseio que eles não percam a oportunidade singular de, ao ensinarem esporte, praticarem educação.”

VIVA A MEMÓRIA ESPORTIVA!

VIVA A MEMÓRIA ESPORTIVA!
                Esta coluna trata da história do futsal urumajoense, desde 1986, iniciado com os jogos alusivos à Semana da Pátria na escola Galvão.
                Esse ano não será um ano como outro qualquer para os amantes do futsal de nossa terra. O ano de 2011 é um ano ímpar de fato na história do esporte e deve ficar registrado na mentalidade coletiva do nosso povo. Há exatos 25 anos atrás na administração do falecido prefeito Esmaelino Braga do Nascimento se promovia a 1ª edição dos Jogos Alusivos a Semana da Pátria. Nessa época a modalidade de futebol de salão, passava a ser introduzida nas escolas do município que não eram muitas por sinal. O futebol de Salão, hoje futsal, era conhecido na época como o “esporte da bola pesada”, devido o “balão de couro” ser envolvido por uma placa enrijecida e um peso que incomodava os praticantes, principalmente aqueles que não tinham tênis para há pratica dessa modalidade. Comentava-se na época a grande incidência de entorses entre os atletas, quando do uso da bola, sem tênis apropriado. Sabia-se também de desmaios de pessoas ao serem atingida pela a “esfera de pedra”. Quem mais reclamava e sofria eram os goleiros, quando tinham que defender o chute de jogadores como Toninho, Jânio (Patacão), Augustinho (Patacão), Armandão, Nita, Romualdo que derrubavam até torcedores que ficavam no muro atrás da trave. Falando em goleiros; o que nunca saiu da minha cabeça eram as grandes defesas praticadas por grandes goleiros daquele período, Lico, Bonifácio, Gilberto Lima, Iranildo (Pão), Zequinha, Eduardo e João.
               Nessa década a gente já fazia as nossas mandingas, colocava-se os nomes dos atletas adversários no congelador das antigas e poucas geladeiras que existiam por aqui. Amarrávamos as bananeiras do fundo do quintal para parar o ataque adversário, laçávamos as pernas da mesa com um nó bem apertado para diminuir a habilidade do melhor jogador do concorrente. Apelava-se até para “Pai de Santo”, no dia de jogo os mais supersticiosos desconfiavam de tudo, evitavam até as visitas de supostos espiões da equipe adversária. No dia de clássicos a cidade ficava sob tensão e burburinhos de possíveis trapaceiros. Os jogadores eram avisados para evitarem contatos com os “inimigos”, no bom sentido. Durante o jogo os atletas transpiravam gotas de suor com fragância de alho que se usava muito, para afastar os “maus olhados como dizia os antigos”.
              Os juízes da partida final eram enclausurados em casas de particulares para que estes não viessem receber propinas de patrocinadores dos clubes, visto que os mediadores do espetáculo eram da cidade de Bragança. Após a semana dos jogos era muito fácil perceber árvores de “pião roxo”, aparecerem totalmente “peladas” e plantas medicinais como “arruda”, “comigo ninguém pode”, sumirem dos quintas das antigas residências. Além disso, se usava garrafas com água benzida da Igreja matriz, tudo isso só para ser o campeão dos jogos da Semana da Pátria. Ainda,  lembro da música tema “Ilariê” da Rainha dos baixinhos ecoar em toda cidade, antes, durante e depois das partidas do Olariense. Festejava-se antecipadamente a chegada a final, características de torcedores convictos no desempenho de seus atletas. A quadra escura para os padrões de hoje, ficava repleta de torcedores, incentivadores e raros patrocinadores. Um detalhe que quero pontuar, era a inexistência de alambrados nas quadras tanto da escola Galvão, quanto da escola Rosa Athayde o que favorecia uma maior proximidade dos torcedores de seus Clubes. Esse calor da torcida tornava as partidas mais alucinantes, emocionantes e festivas.
               Em meados de 1986, lembro que a quadra da Escola Galvão foi construída às pressas para a realização dos jogos. As condições estruturais eram precárias, as instalações elétricas limitadas e o posicionamento dos postes para receber a fiação e posteriormente as lâmpadas comuns, foram todos improvisados. Mas uma coisa é certa, foi neste palco esportivo que desfilaram os primeiros craques de futsal de nossa terra, Peleja, Cacau, Hélio, Sérgio, Zeca, Rirrí, Filho, Paulo Cunha entre outros que não me recordo.
               Na década de 80, houve uma intensa migração dos atletas de Futebol de Campo para o Futsal, entre eles posso citar Colombo, Romualdo, Rirri, Zezinho, Lampeão, Cerezo, Armandão, Zeca Fonseca, Zé Wilson etc. Esses primeiros contatos com a nova modalidade, produziu uma intensa euforia na juventude daquela saudosa época e cada ano o cenários dos jogos se transformavam aliando organização do espaço de jogo às regras da modalidade. Nesse período os atletas se empenhavam, se dedicavam ao maior e mais importante espetáculo esportivo de nossa terra.
               Na década de 90, houve um incentivo maior para a modalidade, passamos a contar com uma nova quadra a da Escola Rosa Athayde. Nessa nova fase, já existia uma padronização dos uniformes identificando os tradicionais clubes dessa época Olariense, Sespa, Municipalista, Geração 2000, Cruzeiro, Ascan, Farsami, Siri Sports, Nacional, Casa Velha, Mengove, Acec e União. Na transição da década de 80 a década de 90, o Clube União, passou a representar o futsal urumajoense no campeonato bragantino e com  mando de jogo em Augusto Corrêa. Costumo dizer que o futsal urumajoense passou a ser competitivo a partir dessa década por contar com inúmeros jogadores de Belém e de Bragança, que mostravam o seu potencial nas quadras da “cidade dos coqueiros”. Entretanto, o nosso potencial esportivo não era ainda suficiente para vencermos as competições externas, devido à estrutura precária fornecida aos nossos atletas, isto é, equipamentos, transportes, preparação física e técnica, medicamentos para contraturas etc. Faz-se necessário elencar os maiores vencedores da Semana da Pátria: Geração 2000 (Títulos – 1994, 1996, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004), Copo Cheio (Títulos – 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011), Olariense (Títulos – 1987,1988 e 1991) e SESPA (Títulos – 1986, 1993).
             A partir de 2000, tivemos contatos com grandes jogadores de Bragança nessa modalidade: Betão, Cocoia, Cleber Ocimar, Xandê, Cássio Blanco, Cléo Elí, Coelho, Ronaldo, Jefferson, Adriano entre outros. Considero aqui o salto de qualidade do nosso futsal, devido o intercâmbio promovido pelo Departamento de Desportos da época em possibilitar a presença de dois jogadores da cidade vizinha na quadra de jogo. O futsal urumajoense ganhou um novo formato, criou o seu próprio estilo de jogo e passou a ter maior visibilidade ganhando a centralidade que até então, era do futebol de campo. A materialização de tal afirmação concretiza-se na incidência de grandes levas de crianças que anualmente procuram os projetos de esporte que oferecem o futsal como complemento de suas atividades educativas. Hoje crianças e adolescentes do nosso município têm a oportunidade de se vislumbrarem com a dinâmica, versatilidade e mecânica das jogadas do futsal. Além disso, já o reconhecem como o esporte que mais promoveu a imagem do nosso município no Pará.
            É necessário esclarecer que ao longo desses 14 anos foram construídas quadras poliesportivas em diversas localidades do nosso município, tanto na administração do ex-prefeito Milton Lobão, quanto do atual prefeito Amós Bezerra. Digo mais, acredito que o prefeito atual é sem dúvida o que mais patrocinou e incentivou financeiramente o esporte desse município.  Mas, destaco a fragilidade da rede emancipadora, a ausência de programas esportivos que formem cidadãos e atletas comprometidos com a imagem do  nosso lugar, com a simbologia do esporte como aglutinador de valores morais e éticos. Se em todas as localidades que existem quadras tivessem programas esportivos direcionados as crianças e adolescentes, como é o caso do “Projeto Fome de Bola: esporte e cidadania”, “Clube Hicso”, em um curto espaço de tempo dominaríamos a região bragantina. Comungo da ideia do Antropólogo Roberto Da Matta de que “o futebol é um veículo básico para a socialização e um complexo sistema para a comunicação de valores essenciais em uma sociedade altamente segmentada”. Para que se elimine essa segmentação, precisamos criar um fundo exclusivo para o esporte, que fomente as atividades desportivas e recreativas mediadas por um plano de metas que relacione de forma umbilical o esporte, a escola e a família.
              A projeção feita acima se confirma no desempenho do nosso futsal nos últimos oito anos, onde uma geração de jogadores nos proporcionaram as mais importantes conquistas dessa última década. Para mim a melhor geração de todos os tempos se materializa na participação de jogadores como Maurício(Tico), Beto Taíra que é maranhense, mas que adotou Urumajó como sua terra, Marcos Lima (Sial), Antônio Maria (tonico), Antonio Elias(Bituca), Rômulo, Paulo Paixão(Pintado), Anderson, Yuri, Charles, Naldo, João, Raimundo Nonato (Rato), Lennon, Moisés, Ivanildo (tabajara) e os mais novos como Andrey, Tarcísio, Fábio, Joniel, Renilson, Elcinho, Nenêm, Biel e Murilo.
             A comunidade esportiva do nosso município deve saber das conquistas dessa geração: de três participações no Campeonato Bragantino de Futsal, conquistamos o Campeonato de 2008, 2009 e o Vice-Campeonato de 2010, que se não fosse por um erro de estratégia teríamos conquistado o Tricampeonato. Vale ressaltar, que o nosso selecionado enfrentaram grandes jogadores da Capital do Estado, experientes na arte de jogar futsal, dentre eles estão Biolay, Luizão, Chico, Dieguinho, Jotinha, Célio, Piquete, Formiga, e outros. Das cinco edições dos Jogos Aberto do Pará, conquistamos duas vezes o primeiro lugar, temos dois vice-campeonatos e um terceiro lugar. Hoje temos a melhor seleção da região bragantina desses Jogos. Nos JEP’S (Jogos estudantis), temos uma conquista a de 2009 e três vice-campeonatos 1998, 2010 e 2011. Após a competição de 2011, Renilson e Elton foram convidados a fazerem testes no São Raimundo de Santarém. Em 2008 participamos discretamente do Campeonato Paraense de Futsal e recentemente conseguimos na primeira participação do Intermunicipal o posto de terceira melhor seleção do Pará e só não chegamos mais longe devido a problemas extra-quadra que prejudicou o desempenho da seleção no jogo da Semifinal contra Melgaço.
             Com base no contexto acima, a cada ano os nossos jogadores são pretendidos e requisitados a defender Clubes de Bragança que pagam a eles de 500 a 1.000 reais por uma semana de jogos. Outros receberam convites de Clubes como Remo e ESMAC para fazerem parte de seu selecionado, como foi o caso de Elcinho e Renilson. Ambos vice-campeões Paraense pela Equipe do Rosário Centro de Capanema e convocados para a seleção paraense de futsal categoria Sub-17. Vale ressaltar, que somente Elcinho permanece na ESMAC e essa instituição de gabarito regional lhe garantiu o término de seu Ensino Médio e posteriormente a sua graduação em Educação Física. Recentemente Elcinho, sagrou-se Campeão Brasileiro Sub-17 pelo selecionado Paraense em Jogos disputados em Belém do Pará e participou da Taça Brasil de Futsal em sua categoria em Aracaju-Sergipe. Essa conquista pessoal do jovem atleta deve-se ao empenho de seus pais Élcio e Roseli que se despuseram a acompanhá-lo em uma carreira difícil que é a de jogador de futsal. Tudo isso é motivo de orgulho para os amantes desse esporte. Apenas precisamos entender melhor esse cenário e não confundir problemas de ordem pessoal com questões específicas pertinentes ao esporte. Esse tipo de atitude só empobrece as relações sócio-desportivas e evidência as limitações daqueles que conduzem o futsal do nosso município. Alerto, precisamos trazer para Augusto Corrêa pelo menos uma edição dos JEP’S e dos JOGOS ABERTOS DO PARÁ para que as crianças, os adolescentes e os jovens se sintam participantes do espetáculo esportivo, pois acredito que o craque se produz em casa e essa é mais uma função da escola. Concluo essa crônica com o seguinte fragmento de Marcos Guterman, jornalista e historiador. “O futebol é pura construção histórica, gerado como parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica do Brasil; se lido corretamente, consegue explicar nosso país”. Por esse mesmo prisma podemos entender a nossa história e é por isso que devemos elencar políticas de esporte e lazer que satisfaça os anseios de todos os seguimentos que compõem a sociedade urumajoense mais de forma eficiente e eficaz. Essa implementação deve levar em conta as particularidades dos sujeitos envolvidos, isto é, seus valores, seus símbolos, suas crenças e suas condições afetivas. Por fim, precisamos reinventar a nossa paixão pelo futsal, na tentativa de compreender e de valorizar a sua importância simbólica, histórica e cultural. Discutir o futsal e outras modalidades e as relações que elas suscitam, é pensar a sociedade urumajoense. Afinal, somos e queremos ser! O país do futebol. Eis o nosso drama, para relembrar o antropólogo Roberto Da Matta.
 Crônica escrita pelo sociólogo e coordenador do Projeto Fome de Bola: esporte e cidadania José Rubens de Brito Filho.

domingo, 2 de janeiro de 2011

ARTIGO IV

Publicado em 04/07/2009 por medinafutebol
A falta de indignação impede modificações
É comum o futebol ser entendido como um fenômeno que favorece o processo educacional, cultural e de conquista da saúde de um povo. Contrapondo a este entendimento podemos observar também que ele pode ser expressão de todas as mazelas presentes na sociedade.
Este esporte pode ser privilegiado instrumento de educação, mas pode ser também exemplo de mau comportamento. Pode ser expressão de cultura, como pode ser a mais clara representação de violência, agressividade e egoísmo. Pode significar caminho à saúde, como também uma forma de utilização de drogas em busca indiscriminada da alta performance.
O esporte, e em particular o futebol, não é bom nem ruim, por si só. Ele apenas representa aquilo que somos com nossas virtudes e defeitos.
Recentemente temos visto manifestações que comprovam este paradoxo representado pelo futebol. O racismo é um exemplo bem acabado disso.
Seja no Brasil, na Arábia Saudita, ou em países considerados mais desenvolvidos como Espanha, Alemanha e Itália as manifestações racistas são observadas com bastante frequência, mesmo em pleno século 21.
Tais fatos, indiscutivelmente intoleráveis, sempre que visiveis são denunciados pela imprensa, pelo menos nos países mais livres, e provocam reações que permitem reflexões, muitas vezes, bastante instrutivas.
Por outro lado, entretanto, na maioria das vezes estas manifestações racistas são expressas em círculos tão fechados e restritos que não possibilitam o debate, a crítica e o repúdio no sentido de sua superação.
Fica apenas aquele sentimento de impotência e até de certa conivência na medida em que entendemos algumas dessas colocações e atitudes como simples brincadeiras inofensivas e que não devem ser levadas muito a sério.
E uma vez que tais fatos não sejam capazes de provocar indignação, também não poderão provocar qualquer modificação neste estado de coisas.  
João Paulo S. Medina

ARTIGO XIII

Publicado em 09/05/2009 por medinafutebol
Em busca de uma abordagem crítica
 Em um outro texto publicado neste blog (*) comentei que o futebol nem sempre é sinônimo de saúde, como muitos imaginam.  Sempre que abordo este assunto, as pessoas parecem ficar surpresas com este meu ponto de vista sobre o futebol, esporte que, sem dúvida, é uma das maiores manifestações culturais do século 20 e nada indica que não será assim, também neste século 21.
Muitas pessoas me questionam. “Medina como você, sendo professor e trabalhando no futebol há tanto tempo, pode falar mal do futebol?”
Penso que ter um olhar crítico sobre o futebol não significa necessariamente falar mal dele.  Pelo contrário, toda visão crítica pode contribuir mais para a valorização das práticas esportivas, do que uma visão ufanista ou de senso comum.
Defendo que precisamos ter a capacidade para aproveitar o enorme potencial do futebol, para realmente assegurar a promoção da saúde, educação e cultura.
Se o esporte em geral, e o futebol em particular, fosse algo bom por si só, que dispensasse a necessária intervenção competente, positiva e pró-ativa de seus agentes, não veríamos à todo momento exemplos de atletas envolvidos em drogas, atos de violência e corrupção que se repetem dentro e fora dos campos.
Cabe, portanto, àqueles que são os atores responsáveis pelas práticas esportivas, ou seja, treinadores, atletas, líderes comunitários, dirigentes, terem sempre em mente os valores que devem permear o esporte:  solidariedade, cooperação, busca de superação dos limites, constante aperfeiçoamento, o espírito democrático,  respeito aos nossos oponentes etc.
Com uma visão crítica que dê mais clareza quanto à forma em que as relações sociais se dão no interior das atividades lúdicas, educativas e competitivas, talvez, possamos realmente entender o esporte, e em especial o futebol, como um privilegiado instrumento que auxilia o desenvolvimento do ser humano de uma forma geral.

(*) Futebol não é sinônimo de educação, saúde ou cultura
 João Paulo S. Medina

ARTIGO XII

  Publicado em 25/04/2009 por medinafutebol
Uma reflexão sobre os valores dos “selvagens” e dos “civilizados”

  Acompanhando os acontecimentos no mundo e no Brasil, imagino como poderíamos medir o grau de desenvolvimento que a humanidade atingiu já em pleno século 21. E quando falo em desenvolvimento, refiro-me não apenas ao processo de acumulação de riquezas materiais, mas às possibilidades de ascensão das pessoas de uma forma ampla, nos mais variados aspectos.Somos surpreendidos a cada instante com escândalos de toda ordem, que nos fazem questionar se vivemos, realmente, numa sociedade civilizada. 
  Para aumentar essas dúvidas basta vermos, também, o que acontece no mundo do futebol, onde a busca pela vitória, vantagens pessoais e institucionais, muitas vezes, atropelam qualquer apelo que realmente justifique tudo aquilo que entendemos como civilizado.
  Esta reflexão me trás à mente uma experiência muito interessante, contada há anos por um antropólogo, sobre o comportamento de um povo selvagem. Disse ele que certa vez visitou uma tribo no Mato Grosso, que nunca teve contato com a cultura civilizada, a fim de estudá-la.

  Ao pesquisar aquela população indígena, buscando entender seus relacionamentos, ele e seu grupo aproveitaram para ensinar algumas práticas de nossa cultura, entre elas o futebol. Os índios gostaram tanto do jogo que começaram a praticá-lo diariamente. 

  Mas um fato chamou muito a atenção dos antropólogos. Como os índios aprenderam que o grande objetivo da competição era a marcação do gol, quando isto acontecia, de um lado ou de outro, os dois times comemoravam entre si, indistintamente. Afinal alguém tinha conseguido atingir a meta e, portanto, cabia uma celebração coletiva que dispensava o conceito de vencedores e perdedores.

  Talvez este modelo “selvagem” de ver o futebol não seja o ideal a ser seguido por nós “civilizados”, mas com certeza pode nos inspirar a colocar alguns limites nas nossas ambições, muitas vezes exageradas, para não dizer doentias. 

João Paulo S. Medina

sábado, 1 de janeiro de 2011

ARTIGO XI

Diversidade e criatividade
Wilton Carlos de Santana
Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)
Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)
     Criatividade tem a ver com inventividade. Seria, então, a capacidade que se tem de inventar frente a um problema; de dar uma resposta inesperada e incomum. O esporte é muito exigente quanto a isso. Sobretudo os coletivos. Há muitas situações-problema a enfrentar. Não ser criativo, portanto, constituir-se-á, sempre, num empecilho para a excelência no jogar. O fato é que ser previsível num contexto (ambiente) imprevisível, como o de uma partida de futsal, representa uma enorme perda individual e coletiva.
      A fim de despertar o interesse dos meus alunos para esse tema, o incluí no conteúdo programático da disciplina pedagogia do esporte. A primeira coisa que a gente aprende ao ler sobre isso é que a criatividade é algo que se adquire. A criatividade não vem inscrita nos nossos genes. O que vem é a capacidade (o potencial) de desenvolvê-la. Trata-se de algo muito promissor, pois se pode exercitá-la, promovê-la, treiná-la.
      Em um dos textos estudados, aprendemos que ser criativo exige uma vivência ampla de experiências. A criatividade, neste sentido, estaria ancorada na diversidade. O raciocínio pedagógico é simples e o efeito tremendo: o enfrentamento de situações diversificadas ensinaria a criança a responder de maneiras distintas. Escreve o autor que “Cada situação dessas será responsável pela abertura de um grande número de possibilidades, sendo que cada possibilidade dessas, quando experimentada, poderá abrir tantas outras (FREIRE, 2002, p. 374)”. Portanto, quanto mais colocarmos a criança sob desafios e situações motivadoras, isto é, quanto mais nossa pedagogia for interessante e contemplar variedade, mais recursos ela desenvolverá para jogar futsal. O treino deveria abrir possibilidades no lugar de fechá-las.
“Ninguém será criativo se não experimentar diversidade. É preciso adquirir os recursos para resolver os problemas variados que o jogo apresenta. A sua pedagogia pode e precisa dar conta disso”.
     Os recursos produzidos pelas crianças que enfrentam desafios constituem-se ferramentas (esquemas) para encarar novos e inusitados problemas. É um ciclo: desafios → recursos → desafios maiores → mais recursos → novos desafios. Isso explicaria, por exemplo, a diferença entre um craque e um jogador mediano. O craque, cheio de recursos, porque vivenciou diversidade, tem sempre algo novo a apresentar. O jogador mediano, de recursos modestos, porque vivenciou pouca coisa, invariavelmente enfrenta os problemas com respostas esperadas e com dificuldade.
     Para o autor, o meio para fomentar jogadores criativos, capazes de nos presentear com arte, de nos surpreender, são as práticas de jogo. Estas entrariam no lugar das rotinas exaustivas de treino, como habitualmente (e infelizmente) encontramos nos treinos de crianças e jovens. Portanto, sem jogo, sem arte.
     Outro ponto levantado pelo autor é que as crianças, jogando, aprendem a integrar e a aproximar pensamento e ação. Aprendem a diminuir a distância entre suas intenções (pensamentos) e ações (gestos) ou entre estes e aqueles. Logo, sem jogo, sem rapidez e inteligência para decidir/agir e, por isso, sem bom nível de desempenho.
     Por último, ninguém será criativo se não experimentar diversidade. É preciso adquirir os recursos para resolver os problemas variados que o jogo apresenta. A sua pedagogia pode e precisa dar conta disso.
     Para quem quiser estudar o texto ao qual me referi, anote a referência:
     FREIRE J.B. Questões psicológicas do esporte. In: MOREIRA, W, SIMÕES, R (orgs.). Esporte como fator de qualidade de vida. Piracicaba, Editora Unimep, 2002, p.363-377.