domingo, 2 de janeiro de 2011

ARTIGO XII

  Publicado em 25/04/2009 por medinafutebol
Uma reflexão sobre os valores dos “selvagens” e dos “civilizados”

  Acompanhando os acontecimentos no mundo e no Brasil, imagino como poderíamos medir o grau de desenvolvimento que a humanidade atingiu já em pleno século 21. E quando falo em desenvolvimento, refiro-me não apenas ao processo de acumulação de riquezas materiais, mas às possibilidades de ascensão das pessoas de uma forma ampla, nos mais variados aspectos.Somos surpreendidos a cada instante com escândalos de toda ordem, que nos fazem questionar se vivemos, realmente, numa sociedade civilizada. 
  Para aumentar essas dúvidas basta vermos, também, o que acontece no mundo do futebol, onde a busca pela vitória, vantagens pessoais e institucionais, muitas vezes, atropelam qualquer apelo que realmente justifique tudo aquilo que entendemos como civilizado.
  Esta reflexão me trás à mente uma experiência muito interessante, contada há anos por um antropólogo, sobre o comportamento de um povo selvagem. Disse ele que certa vez visitou uma tribo no Mato Grosso, que nunca teve contato com a cultura civilizada, a fim de estudá-la.

  Ao pesquisar aquela população indígena, buscando entender seus relacionamentos, ele e seu grupo aproveitaram para ensinar algumas práticas de nossa cultura, entre elas o futebol. Os índios gostaram tanto do jogo que começaram a praticá-lo diariamente. 

  Mas um fato chamou muito a atenção dos antropólogos. Como os índios aprenderam que o grande objetivo da competição era a marcação do gol, quando isto acontecia, de um lado ou de outro, os dois times comemoravam entre si, indistintamente. Afinal alguém tinha conseguido atingir a meta e, portanto, cabia uma celebração coletiva que dispensava o conceito de vencedores e perdedores.

  Talvez este modelo “selvagem” de ver o futebol não seja o ideal a ser seguido por nós “civilizados”, mas com certeza pode nos inspirar a colocar alguns limites nas nossas ambições, muitas vezes exageradas, para não dizer doentias. 

João Paulo S. Medina

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