sábado, 1 de janeiro de 2011

ARTIGO XI

Diversidade e criatividade
Wilton Carlos de Santana
Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)
Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)
     Criatividade tem a ver com inventividade. Seria, então, a capacidade que se tem de inventar frente a um problema; de dar uma resposta inesperada e incomum. O esporte é muito exigente quanto a isso. Sobretudo os coletivos. Há muitas situações-problema a enfrentar. Não ser criativo, portanto, constituir-se-á, sempre, num empecilho para a excelência no jogar. O fato é que ser previsível num contexto (ambiente) imprevisível, como o de uma partida de futsal, representa uma enorme perda individual e coletiva.
      A fim de despertar o interesse dos meus alunos para esse tema, o incluí no conteúdo programático da disciplina pedagogia do esporte. A primeira coisa que a gente aprende ao ler sobre isso é que a criatividade é algo que se adquire. A criatividade não vem inscrita nos nossos genes. O que vem é a capacidade (o potencial) de desenvolvê-la. Trata-se de algo muito promissor, pois se pode exercitá-la, promovê-la, treiná-la.
      Em um dos textos estudados, aprendemos que ser criativo exige uma vivência ampla de experiências. A criatividade, neste sentido, estaria ancorada na diversidade. O raciocínio pedagógico é simples e o efeito tremendo: o enfrentamento de situações diversificadas ensinaria a criança a responder de maneiras distintas. Escreve o autor que “Cada situação dessas será responsável pela abertura de um grande número de possibilidades, sendo que cada possibilidade dessas, quando experimentada, poderá abrir tantas outras (FREIRE, 2002, p. 374)”. Portanto, quanto mais colocarmos a criança sob desafios e situações motivadoras, isto é, quanto mais nossa pedagogia for interessante e contemplar variedade, mais recursos ela desenvolverá para jogar futsal. O treino deveria abrir possibilidades no lugar de fechá-las.
“Ninguém será criativo se não experimentar diversidade. É preciso adquirir os recursos para resolver os problemas variados que o jogo apresenta. A sua pedagogia pode e precisa dar conta disso”.
     Os recursos produzidos pelas crianças que enfrentam desafios constituem-se ferramentas (esquemas) para encarar novos e inusitados problemas. É um ciclo: desafios → recursos → desafios maiores → mais recursos → novos desafios. Isso explicaria, por exemplo, a diferença entre um craque e um jogador mediano. O craque, cheio de recursos, porque vivenciou diversidade, tem sempre algo novo a apresentar. O jogador mediano, de recursos modestos, porque vivenciou pouca coisa, invariavelmente enfrenta os problemas com respostas esperadas e com dificuldade.
     Para o autor, o meio para fomentar jogadores criativos, capazes de nos presentear com arte, de nos surpreender, são as práticas de jogo. Estas entrariam no lugar das rotinas exaustivas de treino, como habitualmente (e infelizmente) encontramos nos treinos de crianças e jovens. Portanto, sem jogo, sem arte.
     Outro ponto levantado pelo autor é que as crianças, jogando, aprendem a integrar e a aproximar pensamento e ação. Aprendem a diminuir a distância entre suas intenções (pensamentos) e ações (gestos) ou entre estes e aqueles. Logo, sem jogo, sem rapidez e inteligência para decidir/agir e, por isso, sem bom nível de desempenho.
     Por último, ninguém será criativo se não experimentar diversidade. É preciso adquirir os recursos para resolver os problemas variados que o jogo apresenta. A sua pedagogia pode e precisa dar conta disso.
     Para quem quiser estudar o texto ao qual me referi, anote a referência:
     FREIRE J.B. Questões psicológicas do esporte. In: MOREIRA, W, SIMÕES, R (orgs.). Esporte como fator de qualidade de vida. Piracicaba, Editora Unimep, 2002, p.363-377.

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